Elefante Marinho Fred: como saber que estamos lidando com o mesmo animal?

O IPRAM tem detectado cicatrizes idênticas em todos esses registros de elefante-marinho no Espírito Santo (inclusive em fotografias datadas de 2012 de autoria de terceiros, que não publicamos em respeito). Essas cicatrizes foram se esticando conforme o animal cresceu, e foram perdendo a profundidade e tornando-se cada vez mais difíceis de se observar conforme o animal realiza mudas de pêlos anuais. Por outro lado, Fred sempre surge com novas cicatrizes, então é necessário atualizar nosso conhecimento sobre suas marcas naturais.

Algumas cicatrizes são bem características de predação por tubarões-charuto (Isistius sp.); outras tem origem desconhecida. Muitas vezes o animal, quando irritado por banhistas, infla a probóscide (tromba), o que lhe dá um aspecto mais adulto e agressivo. A existência de fotografias do Fred em diferentes momentos (relaxado com a probóscide murcha e agressivo com a probóscide inflada) também pode gerar dúvidas sobre estarmos lidando com um animal ou dois animais diferentes. Por outro lado, a probóscide inflada comprova que Fred é um macho.

Na imagem abaixo, identificamos as cicatrizes dorsais e da lateral-direita, mas existem muitas outras cicatrizes na região ventral-caudal que também nos ajudam a identificá-lo, e podem ser vistas quando ele repousa em decúbito dorsal (de barriga para cima).



Em janeiro de 2017, após ter sido resgatado para tratamento em cativeiro, o Fred recebeu brincos com numeração nas nadadeiras traseiras e foram implantados dois chips sob sua pele, na região dorsal, de maneira a facilitar sua identificação. Nas fotografias de sua passagem pela Argentina em janeiro de 2018 não foi possível ver os brincos, mas as cicatrizes foram reconhecidas. Como nosso amigo já cresceu um pouco, notamos que algumas cicatrizes vão se tornando rasas e difíceis de ver (fazem menos sombra), e vão se distanciando umas das outras também.

Em primeiro lugar, com uma cicatriz nova e dois cortes paralelos (riscos) que já existiam antes, pudemos comprovar que o mesmo animal (indivíduo) foi responsável pelas duas avistagens de elefante marinho na Argentina, em Camet Norte e Cabo Corrientes.


Mas essa cicatriz forte e recente que nos ajudou a entender que os dois avistamentos foram para o mesmo animal não constava em nossos registros até então, portanto, teremos que ignorá-la em nosso trabalho de comparação a seguir. A imagem abaixo mostra as principais cicatrizes dorso laterais que usamos para comparação: uma "letra M" entre a nadadeira anterior direita e a cabeça, com um ponto profundo embaixo; um triângulo formado por três antigas mordidas de tubarão-charuto muitos anos atrás, e dois cortes profundos (riscos) paralelos logo atrás do triângulo.


A imagem abaixo mostra o elefante marinho saindo do mar, na Argentina. Pode-se ver um sutil "M" em seu pescoço, mas não é uma foto que ajuda muito, por enquanto, porque o corpo dele está escondido. Encontramos muitas dificuldades em nossa comparação, porque algumas cicatrizes que esperaríamos ver podem não aparecer, devido à luminosidade e saturação da imagem, resolução, ou podem estar cobertas com areia. O ângulo do animal também varia muito de foto para foto, e para completar, ele está crescendo. A pele está se esticando e deformando as "constelações" de cicatrizes com as quais estamos habituados.



Nessa sequência, indicamos onde cada cicatriz deve estar.





No lado esquerdo do elefante, só conseguimos reconhecer uma marca sutil.



Também procuramos identificar as cicatrizes da região ventro lateral na porção posterior do corpo desse elefante marinho Argentino muito suspeito.








As cicatrizes mais importantes no reconhecimento de Fred são as ventrais. São essas cicatrizes ventrais que nos permitiram saber que era o mesmo animal, desde a Praia da Azedinha em Bùzios, no ano de 2012, e até agora, na Argentina.


Com a nossa marcação colorida, fica mais fácil reconhecê-las: